Parceria entre Prefeitura de São Cristóvão e UFS promove ações de autocuidado para marisqueiras
A Prefeitura de São Cristóvão, por meio da Secretaria Municipal da Agricultura, Aquicultura e Pesca (Semagri), desenvolve, em parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS), ações voltadas à saúde e ao autocuidado de marisqueiras do município. A iniciativa integra o projeto “Pele de Luta, Pele de Cuidado”, desenvolvido pelo Departamento de Farmácia da universidade a partir das demandas apresentadas pelas próprias trabalhadoras da pesca artesanal.
A atividade de mariscagem faz parte da tradição e do modo de vida de diversas comunidades de São Cristóvão. No mangue, as trabalhadoras enfrentam condições que exigem esforço físico constante, contato prolongado com a umidade e exposição ao sol, fatores que podem provocar dores, desconfortos e problemas de pele. Nesse contexto, o projeto busca ampliar o acesso a orientações sobre saúde e práticas de autocuidado adequadas à realidade dessas mulheres.
A iniciativa reúne professores, estudantes universitários e integrantes da comunidade pesqueira em uma proposta que aproxima o conhecimento científico dos saberes populares, especialmente aqueles relacionados ao uso de plantas medicinais. A partir dessa troca, são compartilhadas orientações sobre preparações naturais que podem contribuir para o cuidado com a pele e o alívio de desconfortos associados ao trabalho no mangue.
Para o secretário-adjunto da Agricultura, Aquicultura e Pesca, Edmilson Brito, a parceria permite aproximar a produção acadêmica das necessidades identificadas no cotidiano das comunidades.“A universidade tem o conhecimento científico e nós temos o trabalho de campo. Conhecemos as dificuldades e as problemáticas da nossa gente, e essa parceria permite que a universidade desenvolva seu trabalho junto à comunidade, contribuindo para melhorar a vida das pessoas. Buscamos cada vez mais parcerias que tragam benefícios para a população”, destacou.
O projeto tem duração prevista de seis meses, com encontros quinzenais no campus da UFS. Para as participantes, as atividades representam uma oportunidade de adquirir novos conhecimentos e incorporar práticas de cuidado à rotina, considerando os desafios enfrentados durante o trabalho.
A professora do Departamento de Farmácia da UFS e uma das organizadoras do projeto, Rogéria Nunes, explica que a iniciativa surgiu a partir de uma demanda das próprias marisqueiras e dá continuidade à cooperação entre a universidade e a Prefeitura de São Cristóvão nas áreas de pesquisa, ensino e extensão.“O mangue é o território onde elas trabalham e de onde tiram o sustento, mas também é um ambiente em que estão constantemente expostas a riscos. Nosso trabalho envolve o conhecimento popular, sobretudo o relacionado às plantas medicinais, para pensar práticas de autocuidado que façam sentido para a realidade dessas mulheres”, explicou.
A marisqueira Elizabete Conceição ressalta a importância das orientações para quem convive diariamente com dores e sensibilidades decorrentes da atividade. “É bom para nossa saúde, cuidar da saúde é muito importante. Nós sentimos muitas dores e sofremos com a sensibilidade, então vai nos beneficiar”, afirmou.
Moradora da Divinéia, Josefa de Oliveira também destaca a oportunidade de ampliar os conhecimentos a partir das experiências compartilhadas durante os encontros. “É muito bom a gente participar, para aprender mais um pouco do que a gente já tem experiência. A gente não tem condições de pagar, então o projeto vai ser algo muito bom”, comentou.
Fotos: Dani Santos
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