Saúde de São Cristóvão amplia cuidados com as mulheres e passa a ofertar inserção de DIU na rede municipal
A Secretaria Municipal de Saúde de São Cristóvão (SMS) segue avançando nas políticas de cuidado integral às mulheres e de fortalecimento do planejamento familiar. A partir do mês de novembro, o município passou a ofertar a inserção do Dispositivo Intrauterino (DIU) na rede pública, ampliando o acesso a métodos contraceptivos seguros e eficazes.
Atualmente, a rede municipal já disponibiliza pílulas anticoncepcionais, métodos injetáveis mensais e trimestrais, além de camisinhas femininas e masculinas em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Com a incorporação do DIU, São Cristóvão reforça sua atenção à saúde sexual e reprodutiva, ofertando mais autonomia para que as mulheres possam decidir sobre seu corpo e seu futuro reprodutivo.
Segundo Maria Helena Andrade, coordenadora da Saúde da Mulher na SMS, o DIU é um dispositivo maleável e tem ampla possibilidade de adesão. “O dispositivo pode ser utilizado por mulheres, homens trans e adolescentes, desde que autorizados por um responsável. O município já oferece vários métodos contraceptivos, e esse é mais um acréscimo para ampliar as possibilidades e garantir autonomia no planejamento reprodutivo, sempre seguindo as indicações adequadas”, afirmou.
As inserções do DIU serão realizadas nas UBS Mariano Nascimento e Masoud Jalali. No entanto, todas as unidades do município estão aptas a receber as usuárias para consultas de avaliação. “A escolha do método contraceptivo pode partir tanto da própria paciente quanto da equipe de saúde. Mesmo sendo um método altamente eficaz e com poucas contraindicações, a avaliação profissional é indispensável”, completou a coordenadora. Durante a consulta, médico ou enfermeiro verifica se existe alguma alteração ginecológica que impeça a inserção e apresenta todas as opções disponíveis.
Caso a paciente seja elegível, a indicação é registrada em formulário próprio e, a partir dele, a usuária é incluída na lista para inserção nas unidades de referência. Tanto o DIU de cobre, opção não hormonal, indicada inclusive para pessoas com predisposição à trombose ou para homens trans em uso de hormônio, quanto os outros métodos hormonais continuam disponíveis na rede. O município também articula, por meio do programa Opera Sergipe e do cirurgião geral da rede, o acesso a laqueaduras e vasectomias para quem optar por métodos definitivos.
Qualificação profissional e implantação
A implantação do serviço foi possível após a qualificação das equipes das duas unidades de inserção. A capacitação foi promovida em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES) junto à Fundação Estadual de Saúde (FUNESA), com etapa teórica e prática em manequins realizada desde setembro. Já em novembro, a médica responsável pela formação, Nathália Mattos, visitou os municípios para treinar diretamente os profissionais nas próprias unidades onde atuarão.
“Em São Cristóvão, já tivemos a primeira inserção, que, inclusive, foi a primeira de todo o curso, porque o município foi o primeiro a disponibilizar todos os materiais solicitados. Durante esse período final da formação, estaremos realizando a inserção de forma compartilhada: eu, como responsável pelo treinamento, e a doutora Ana Patrícia, que está sendo capacitada. Após esse período, ela estará plenamente habilitada para dar continuidade ao serviço no município”, destacou a ministrante, que é médica de família e comunidade.
Para a médica Ana Patrícia Magalhães, que atende na UBS Mariano Nascimento, o curso foi excelente e contou com uma preparação muito esclarecedora e bastante didática. “A inserção do DIU vai trazer muitos benefícios para a comunidade, especialmente para o planejamento familiar e a prevenção de gravidez indesejada, já que temos um índice alto, assim como em todo o Brasil. O método também ajuda mulheres que não podem utilizar anticoncepcionais hormonais e pode até reduzir a procura por laqueaduras, considerando que o DIU tem duração de até 12 anos”, reforçou.
Após a inserção, a usuária passa por acompanhamento contínuo. Uma ultrassonografia transvaginal é solicitada 30 dias depois para verificar a posição do DIU, e o acompanhamento deve seguir semestralmente para manutenção. As UBS permanecem disponíveis para atendimento sempre que a paciente sentir qualquer desconforto, desejar retirar o dispositivo ou buscar orientação.
A paciente Luiza Santos foi uma das primeiras a aproveitar o serviço no município e achou ótimo ter essa possibilidade de evitar mais uma gravidez. “É uma responsabilidade muito grande. Eu tenho dois filhos e não quero mais nenhum. Então, essa oportunidade de colocar o DIU para não ter mais filhos, para mim, foi maravilhosa. Minha irmã colocou o DIU e está com ele até hoje, fazendo a manutenção direitinho. Eu acabei confiando mais por conta disso e estou com o pensamento positivo”, compartilhou.
Fotos: Clara Dias
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