Prefeitura de São Cristóvão lança cartilha de combate à gravidez na adolescência e reforça ações intersetoriais de prevenção
Nesta quarta-feira (11), a Prefeitura de São Cristóvão, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), realizou o lançamento da cartilha sobre prevenção da gravidez na adolescência. Intitulada de “Corpo, cuidado e escolhas na adolescência”, o material aborda temas como os riscos de gravidez na adolescência, como encarar essa situação, quais os direitos das gestantes adolescentes, e tem como objetivo disseminar informações corretas sobre o tema, além ajudar na prevenção e no apoio aos pais, adolescentes e responsáveis.
Conforme dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), São Cristóvão registrou, nos últimos cinco anos, aproximadamente 800 bebês nascidos de mães adolescentes, um cenário que alerta para as diversas complicações associadas à gestação precoce. Esse quadro pode comprometer significativamente a saúde da gestante e do bebê, aumentando os riscos de morte materna, parto prematuro, aborto espontâneo, eclâmpsia, infecções graves e rompimento da parede uterina. Além dos impactos físicos, a gravidez na adolescência acarreta consequências sociais profundas, como a interrupção dos estudos, dificuldades de inserção ou manutenção no mercado de trabalho e o surgimento de conflitos familiares.
Durante o lançamento da cartilha, o prefeito de São Cristóvão, Júlio Nascimento, destacou que o material vai além de um instrumento informativo, representando uma mensagem direta de cuidado, afeto e acolhimento à juventude. “Esse material foi produzido de forma intersetorial criando uma comunicação acessível que informe, proteja e evite a interrupção de projetos de vida causados pela gravidez precoce. Nós reafirmamos o nosso compromisso em caminhar lado a lado com essa geração, garantindo direitos constitucionais e criando oportunidades para que possam construir seu próprio futuro com liberdade e segurança”, falou o prefeito.
A secretária-adjunta de saúde, Michele Soraia, salienta que a gravidez na adolescência não é uma questão individual. “Ela é um desafio social, um problema de saúde e garantia de direitos. Quando a gente fala nessa temática não estamos falando de números apenas. Estamos falando de histórias reais, de meninos e meninas que, muitas vezes, têm seus sonhos interrompidos, por falta de informação, por falta de diálogo, de acompanhamento e até de apoio”, pontuou Michele.
A cartilha foi desenvolvida com o objetivo de munir crianças e adolescentes com informações essenciais sobre a prevenção da gravidez, métodos contraceptivos atualizados e o acesso à rede de saúde, garantindo direitos como o sigilo e o acolhimento adequado. De acordo com Winne Santana, coordenadora da saúde da criança e do adolescente, além de orientar sobre questões reprodutivas, o material aborda enfaticamente os protocolos em casos de violência sexual. “Na cartilha, nós também falamos sobre o direito ao aborto legal e os canais de denúncia, reforçando uma postura intransigente na defesa dos menores. Qualquer relação sexual com menores de 14 anos é estupro de vulnerável. Não dá para fechar os olhos e dizer que a adolescente consentiu, e a gente tem que bater nessa tecla justamente para reduzir essa violência sexual”, destacou Winne.
Gravidez na adolescência em São Cristóvão
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, o percentual de gravidez na adolescência (até 20 anos completos) vinha apresentando tendência de queda ao longo dos últimos anos, passando de 16,35% em 2020 para 13,04% em 2024. No entanto, em 2025 há uma inversão deste cenário, com elevação para 16,97%, o maior percentual de toda a série analisada. Esse aumento interrompe a trajetória de redução registrada anteriormente e acende um alerta para a necessidade de reforço nas ações de prevenção, educação sexual e acompanhamento dos adolescentes.
Para Letícia Tenório, coordenadora de vigilância epidemiológica, os indicadores permitem identificar exatamente onde atuar. “Sabemos que a maior incidência ocorre na faixa dos 16 aos 19 anos e observamos um perfil marcado pela baixa escolaridade, com muitas meninas abandonando o ensino fundamental. Além disso, a questão racial também é um fator de impacto, com a maioria se autodeclarando parda. Portanto, esses dados são a base para que possamos direcionar nossas políticas públicas de forma precisa para a população que mais precisa de identificação e cuidado.”, enfatizou Letícia.
Intersetorialidade e educação sexual
Também participaram do evento Emerson Araújo, coordenador do Programa Saúde na Escola na Secretaria Estadual de Educação, e Rodrigo Lopes, coordenador do Programa Saúde na Escola na Secretaria Estadual de Saúde e referência técnica da área da criança e do adolescente. Ambos destacaram a importância da atuação intersetorial como estratégia fundamental para fortalecer as ações de promoção da saúde no ambiente escolar.
Emerson Araújo destaca que o programa “Saúde na Escola”, pelo seu caráter intersetorial, propõe um olhar diferenciado, com várias mãos trabalhando as mesmas temáticas, o que garante uma visão muito mais robusta e efetiva das ações. “Em vez de a Secretaria de Saúde, a Secretaria de Educação e a Assistência Social atuarem de forma isolada, a intersetorialidade permite unir esforços, otimizar recursos financeiros, humanos e o tempo para desenvolver ações mais consistentes. A ideia é alcançar de maneira realmente efetiva um número maior de crianças, jovens e adolescentes beneficiados pelo Programa Saúde na Escola, tendo a intersetorialidade como eixo fundamental nesse processo”, disse o coordenador.
Para Rodrigo Lopes, o Programa Saúde na Escola e as ações voltadas à saúde da criança e do adolescente têm no ambiente escolar um espaço estratégico para promover informação e cuidado. “A intersetorialidade é o grande trunfo do programa, pois fortalece o enfrentamento das vulnerabilidades sociais, como a gravidez na adolescência, que pode interromper trajetórias escolares e limitar oportunidades. Por isso, é essencial investir na prevenção, especialmente em temas como saúde sexual e reprodutiva, garantindo que crianças e adolescentes sejam informados, acolhidos e protegidos para que possam sonhar, crescer e fazer suas próprias escolhas”, salientou Rodrigo
Foto: Dani Santos
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