São Cristóvão reúne 80 crocheteiras de diferentes cidades para produzir manta que vai cobrir a Rua Gastronômica no FASC
A Prefeitura de São Cristóvão, por meio da Fundação Municipal do Patrimônio e da Cultura (Fumpac), deu início à maratona de crochê que irá resultar em uma grande manta para cobrir a Rua Gastronômica durante o Festival de Artes de São Cristóvão (FASC), realizado de 20 a 22 de novembro. A primeira etapa da ação aconteceu no último domingo (27) e reuniu 80 crocheteiras de diferentes faixas etárias e municípios de Sergipe. A produção coletiva deverá formar uma manta de aproximadamente 600 metros quadrados.
A primeira maratona reuniu crocheteiras de diferentes cidades, entre elas São Cristóvão, Aracaju, Laranjeiras, entre outras. A iniciativa é realizada em parceria com a Casa de Costura Dona Zil, Sala dos Saberes e Fazeres e o Clube de Crochê Fios de Caju. A proposta nasceu a partir do desejo de incorporar o crochê à programação e à identidade visual do FASC que está alinhada o tema “Tradição que move o Presente”, aproximando um prática tradicional à contemporaneidade, em um espaço público, para visibilizar em um evento artístico cultural da cidade que já possui dimensão brasileira.
Os encontros irão continuar nos próximos finais de semana, segundo a presidenta da Fumpac, Paola Santana. “A proposta une a tradição de São Cristóvão, que também passa pelo artesanato, à contemporaneidade do FASC, criando um espaço de encontro, convivência e valorização do artesanato, e da culinária sergipana e sancristovense. Este é o primeiro de uma série de encontros que serão realizados para a produção da manta, que deverá permanecer na Rua Gastronômica durante os meses de novembro, mês que será realizado o FASC e dezembro, mês que dará continuidade a uma programação especial de fim de ano. A manta receberá manutenção sempre que necessário”, destacou.
Para somar à ação, o Clube de Crochê Fio de Caju foi convidado a fazer parte e auxiliar toda a produção. Segundo Arlen Costa, administradora do clube, fazer parte deste trabalho é gratificante. “Inicialmente, recebemos a proposta de criar um grande teto de crochê, e o processo de desenvolvimento ficou por nossa conta. Como a manta terá 100 metros de comprimento por 6 metros de largura, decidimos dividi-la em módulos menores. Serão 20 módulos, cada um formado por 18 mandalas, produzidas coletivamente durante os encontros. Ao final, todos os módulos estarão unidos para formar a grande manta”.
A participante do grupo ressaltou que as cores foram escolhidas de acordo com a identidade do festival deste ano. “As cores utilizadas também foram pensadas especialmente para o festival e seguem a identidade visual do FASC, estabelecendo uma relação direta com a cidade e com o evento. Atualmente, o clube reúne mais de 700 mulheres. Para essa ação, mobilizamos principalmente as participantes mais experientes e as intermediárias, considerando o prazo para a produção. Para nós, participar do FASC é motivo de muito orgulho. Ficamos muito felizes porque não precisamos procurar o festival: o convite veio até nós”, celebrou Arlen.
Arte e união
A grandiosidade da demanda exigiu dos equipamentos uma organização coletiva. O grupo na primeira ação contou com 80 participantes, mas novos voluntários podem se somar nos próximos encontros, que sempre irão acontecer na Praça São Francisco no período da manhã e tarde. Para a logística ocorrer da melhor forma possível, os equipamentos de cultura Casa da Costura Dona Zil e Sala dos Saberes e Fazeres se somaram às ações.
De acordo com Lucy Rodrigues, coordenadora da Casa da Costura, a iniciativa possibilitou a visibilidade da arte em sua totalidade, neste caso o crochê. “No início, pensamos em trabalhar com um único modelo, mas cada voluntária trouxe a sua própria técnica e criatividade. Definimos apenas o formato redondo das peças, e, a partir disso, cada uma pôde desenvolver sua mandala com identidade própria. O resultado é um trabalho coletivo que reúne diferentes formas de fazer crochê em uma mesma composição”, pontuou.
Tradição
Todas as participantes integraram a ação de forma voluntária, e para elas, a ideia de fazer uma manta para ser exibida em um dos principais pontos turísticos de São Cristóvão e local central do FASC representa manter viva uma prática que faz parte de suas histórias.
A participante Vera Lúcia dos Santos, compartilhou seu encantamento pela proposta da manta. “Eu gosto de fazer crochê porque, para mim, é uma forma de terapia, e poder participar de um evento como esse é muito honroso. Estar aqui, compartilhando esse momento com tantas pessoas, me traz uma felicidade muito grande. É algo muito marcante para a história de São Cristóvão e para a minha também”.
Lindete Santos, participante, considerou o evento muito importante. “É uma oportunidade de mostrar ao mundo a nossa arte e a nossa cultura. São Cristovão respira cultura, e poder levar a nossa arte, o nosso estado e, principalmente, a nossa cidade para outros lugares e para outras culturas é muito significativo. Crochê também é cultura. Cada pessoa pode fazer o mesmo ponto, mas cada uma tem a sua própria maneira de criar e se expressar. Esse é o valor do crochê: cada um coloca a sua identidade naquilo que faz”.
Marina Letícia, com 14 anos, é uma das mais novas voluntárias da ação, e partilhou como crochetar lhe faz bem. “Eu ainda sou muito nova, mas amo essa arte e amo fazer o que faço. O crochê me acalma, alivia a ansiedade e o estresse e, ao mesmo tempo, permite demonstrar um pouco mais da nossa cultura e da arte que todos nós, que fazemos crochê, temos para mostrar. Fico muito feliz por fazer parte de uma ação que será apresentada no Festival de Artes de São Cristóvão. É muito especial saber que, sempre que alguém olhar para essa produção, vai saber que existe muita gente por trás dela, que dedicou seu tempo, praticou e se envolveu para criar algo para a comunidade de São Cristóvão e para todos que vão visitar o FASC e a cidade até o fim do ano”, finalizou.
Fotos: Heitor Xavier
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