Projeto Cidade Seresta leva música, memória e turismo às ruas do Centro Histórico de São Cristóvão
As ruas do Centro Histórico de São Cristóvão ganharam um ritmo diferente no último sábado (19). Ao som da Banda Mestre Neca, moradores e visitantes caminharam pelas ruas da Cidade Mãe de Sergipe, acompanhando um cortejo que resgatou o clima das antigas serestas e transformou o patrimônio histórico em cenário para uma noite de música, encontros e memórias. A programação foi realizada pela Prefeitura de São Cristóvão, por meio da Fundação Municipal do Patrimônio e da Cultura (Fumpac), como parte do Projeto Cidade Seresta: Pelas Ruas da Cidade Mãe.
O cortejo percorreu as ruas do Centro Histórico até chegar ao palco montado na Rua Gastronômica, onde o público acompanhou a apresentação do artista sancristovense Niel Soares. A proposta retoma o formato das primeiras edições do projeto, realizadas no final da década de 1990, e foi relançada em agosto, voltando a ocupar as ruas da cidade com música e seresta.
Para José Marcos, responsável pela Banda Mestre Neca, o retorno da programação representa a retomada de uma tradição cultural que fez parte da vida da cidade. “Esse retorno é muito legal. Eu já participava dos cortejos no passado e, depois de todo esse tempo, poder ver essa atividade novamente acontecendo é muito bom para a cidade e para nós, artistas. É uma forma de a música voltar a ocupar as ruas, promover a interação com os moradores e movimentar a cidade. E, com uma arquitetura e uma riqueza como a que temos aqui, esse resgate é maravilhoso para a população”, destacou.
Para a presidente da Fumpac, Paola Santana, a boa recepção da primeira edição no novo formato e o pedido dos moradores foram importantes para a decisão de dar continuidade à proposta. “Esse formato, que retoma uma tradição das antigas serestas de São Cristóvão, foi relançado em agosto e teve uma recepção muito positiva de quem esteve no Centro Histórico. A comunidade também vinha pedindo o retorno dessa programação, então decidimos continuar com esse formato, levando novamente a música para as ruas e fortalecendo essa relação entre cultura, patrimônio e a população”, afirmou.
Turismo e memória
Para quem chegou de outras cidades, a experiência também foi uma oportunidade de conhecer São Cristóvão por uma perspectiva diferente. A artista Brenda Mavany, de Aracaju, participou pela primeira vez e destacou justamente essa possibilidade de vivenciar a cidade enquanto acompanha a programação cultural.“É a primeira vez que venho e achei muito legal poder andar pelas ruas de São Cristóvão e ver também os moradores apreciando isso, não só aqueles que vêm de fora. Um clima muito legal. Espero que aconteça mais vezes”, contou.
A guia de turismo Eliana Jesus, também de Aracaju, acompanhou a programação e ressaltou o potencial da iniciativa para aproximar visitantes da cultura sergipana. “Essa é uma oportunidade muito boa das pessoas conhecerem o que é uma seresta. É bastante interessante, bastante alegre. Quem não veio, venha da próxima, porque tem tudo a aprender. Tudo que você procura encontra aqui. Esse tipo de evento só potencializa o turismo na cidade e é isso que Sergipe precisa”, afirmou.
Enquanto os visitantes descobriam o Centro Histórico ao som da seresta, os moradores também tiveram a oportunidade de reencontrar uma tradição que fez parte da vida cultural da cidade. Moradora do Centro Histórico, Edilene Azevedo, lembra das antigas serestas realizadas pelas ruas na década de 1990. “Eu vivenciei isso há muitos anos e ter isso de volta é uma maravilha. É muito bom poder usufruir disso novamente, porque me lembra de coisas muito boas que vivi”, relatou.
Próximas edições
Quem quiser viver novamente essa experiência já pode se programar. O Projeto Cidade Seresta retorna às ruas do Centro Histórico nos dias 17 de outubro e 5 de dezembro, com início às 19h, na Rua Gastronômica.
Fotos: Heitor Xavier
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