Prefeitura de São Cristóvão realiza encontro para ouvir pescadores e discutir sobre ordenamento pesqueiro
Pescadores e pescadoras do povoado Timbó tiveram participação ativa e efetiva no encontro que aconteceu nesta manhã, 01, realizado pela prefeitura de São Cristóvão, por meio da Secretaria do Meio Ambiente, Agricultura e Pesca (Semap). A ocasião foi oportuna para o debate sobre as condições de trabalho e para o aprendizado sobre ordenamento pesqueiro. A palestra fez parte da programação da semana de pesca e reuniu profissionais e amadores que atuam no segmento há mais de cinco anos, especificamente no Rio Poxim.
Um dos objetivos da palestra foi o de organizar a atividade pesqueira realizada no local, de maneira democrática, apresentando aos pescadores as peculiaridades do rio e as condições que podem refletir diretamente no resultado do trabalho, além de buscar, com base nas necessidades dos pescadores, alternativas sustentáveis que promovam o ordenamento, o fomento e a fiscalização das pescarias e que venham garantir a sua continuidade, conforme descrito na Lei Nº 11.959/2009.
Estava presente na reunião o secretário da Semap, Edmilson Brito, que mencionou alguns dos desafios que a população ribeirinha vem enfrentando com o crescimento da Barragem Rio Poxim. “Hoje o rio não é autorizado para pescaria e a nossa luta, junto com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe (IFS) é encontrar a solução e apresentar à Deso. O intuito é fazer com que as pessoas que foram prejudicadas com o crescimento da barragem possam de alguma forma ter algum sustento daquilo que foi lhes foi retirado, pois o rio já existia”, declarou.
Edmilson Brito, secretário da Semap
Ainda com a palavra, o secretário falou sobre a sua missão ao assumir a pasta. “Uma das principais atividades que o prefeito Marcos Santana atribuiu a mim quando fui nomeado secretário da pasta, foi a de apoiar os pequenos produtores e pescadores. E o grande desafio aqui é justamente encontrar o equilíbrio entre a importância da geração da água para consumo humano e da pesca para aqueles que vivem e sobrevivem dessa atividade”, destacou o secretário.
Salustiano Marques, engenheiro de pesca, foi um dos palestrantes do evento, junto com José Milton Carriço, professor do IFS. Ambos falaram sobre o conceito, a importância e a aplicação do ordenamento pesqueiro, além de incitarem o debate com a participação de cada um dos pescadores, que tiveram a oportunidade de se apresentar e falar das condições atuais e ideais de trabalho.
“Transmitir esse conhecimento sobre ordenamento pesqueiro é de suma importância, pois se trata de um conjunto de normas que possibilita que a pesca seja sustentável e permanente. Se os pescadores realizam suas atividades sem seguir o que direciona o ordenamento, a tendência é haver um desequilíbrio, oscilar muito a produção ou afetar o meio ambiente com a pesca de espécies que podem ser extintas”, explicou Salustiano.
A participação democrática e as expectativas dos pescadores
Para Lourival Gomes Alves, pescador há mais de 30 anos e presidente da associação dos pescadores do povoado Timbó, a reunião com a equipe da Semap é um momento de aprendizado que traz esperança para os colegas de profissão. “Aqui a gente aprende e ao mesmo tempo apresenta as nossas necessidades. Sempre tiramos nosso sustento do rio e depois da barragem veio a proibição. A situação traz angústia, mas com o suporte da prefeitura, que vem nos ouvindo e abraçou a causa, eu sei que será resolvido”, disse.
Gildete dos Santos, pescadora artesanal há 30 anos, também compactua do mesmo sentimento de gratidão pela oportunidade de aprendizado e escuta. “A gente pesca para comer e vender também. A gente vai sobrevivendo disso aí. Precisamos desse apoio porque é a nossa única atividade, por isso a prefeitura está sendo muito importante, não estamos sozinhos nessa luta”, enfatizou a pescadora.
Fotos: Heitor Xavier
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