29/09/2026

Mais de 10 mil documentos do acervo municipal são recuperados e voltam ao Arquivo Público de São Cristóvão

Mais de 10 mil documentos do acervo do Município de São Cristóvão passaram por processos de recuperação, higienização e organização e foram devolvidos à Prefeitura na última quarta-feira, 23 de setembro. O trabalho foi desenvolvido por equipes e estudantes da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em parceria com o Município. A iniciativa objetiva a garantia da preservação da documentação e a ampliação das possibilidades de acesso e pesquisa sobre a história do município. 

O acervo foi passado por um processo de higienização, identificação, digitalizado e descrito por equipe especializada. Ao todo, foram tratados 10.389 folhas escritas, produzidas desde o século XIX. Entre os documentos, foram identificados atas, leis, resoluções, decretos, ofícios, requerimentos, livros de registros, projetos de lei, certificados, recibos e correspondências. Toda a documentação foi distribuída e identificada por períodos: 4.091 folhas correspondem ao intervalo entre 1825 e 1955; 3.710 folhas, entre 1904 e 2005; e 2.588 folhas, entre 1930 e 1959. 

Paola Santana, presidenta da Fumpac, reforçou a importância da preservação documental. “Entendemos que preservar os documentos é também preservar a história da cidade e permitir que ela seja conhecida pelas próximas gerações. Esse acervo reúne documentos importantes, e ajuda a contar parte da trajetória da cidade”. 

Paola Santana, presidenta da Fumpac

A iniciativa do projeto partiu da coordenadora da Biblioteca Municipal Lourival Batista, Rafaela Pereira, que acompanhou todo o processo de recuperação da documentação. De acordo com ela, o objetivo principal da ação é que outras pessoas tenham acesso ao conhecimento que está registrado e preservado nos documentos. “O principal objetivo é justamente compartilhar esse conhecimento. Os documentos são de acesso público e estavam sujeitos a situações que poderiam comprometer sua preservação e, consequentemente, torná-los inacessíveis. Com o tratamento adequado, conseguimos dar uma nova vida a esse acervo, garantindo que ele possa ser consultado posteriormente”, declarou. 

Rafaela reforçou ainda a importância dos documentos como fonte de pesquisa, destacando que o próprio processo de recuperação do acervo contribuiu para ampliar o conhecimento sobre a história do município. “Além de receberem esse tratamento, os documentos também foram objeto de pesquisas desenvolvidas pela universidade. Essa parceria resultou em trabalhos científicos de grande relevância. Inclusive, um deles recebeu um prêmio em nível local e concorre a uma premiação nacional. O trabalho foi realizado a partir desses documentos e resultou na criação de um repositório digital para disponibilizar o acervo”, pontuou a coordenadora. 

Rafaela Pereira, coordenadora da Biblioteca Municipal Lourival Batista 

Segundo a professora Glêyse Santos, uma das especialistas, o processo foi realizado seguindo todas as normas previstas. “Os documentos foram digitalizados e passaram pela descrição arquivística. Esse trabalho possibilitou não apenas a preservação do acervo, mas também a realização de novas pesquisas. A documentação já resultou em diferentes trabalhos acadêmicos”, compartilhou. 

Glêyse Santos, uma das especialistas

Sofia Matos, é uma das estudantes que utilizou do acervo da área de Ciência da Informação, a mestranda fez um projeto voltado à preservação de documentos. “Esse acervo tem uma potência histórica muito grande. Quando comecei a graduação, eu ainda não tinha dimensão da importância desse material. Foi a minha orientadora, a professora Sandra, quem me apresentou o acervo e propôs a implementação dele em um repositório digital. Ao longo da graduação, compreendi que a preservação digital é um processo complexo, mas fundamental para garantir a preservação, de fato, desse acervo e possibilitar que ele continue acessível no futuro”. 

Sofia Matos

Alessandra Araújo, professor especialista, reforçou a importância de consulta a documentos que são essenciais para entender a história, e que isso possa ainda ser estudado anos à frente. “Enquanto uma equipe ficou responsável pela higienização e conferência dos documentos, outra trabalhou na parte tecnológica, pensando na difusão e na disseminação desse acervo. A preocupação não é apenas recuperar os documentos para o presente, mas garantir que eles possam ser preservados e acessados daqui a 50, 100 ou 200 anos”, ressaltou. 

Alessandra Araújo

Acervo disponível 

Toda a documentação será encaminhada ao Arquivo Público Municipal, um espaço que possui uma estrutura adequada para a estadia do acervo. O equipamento tem climatização e controle de umidade e temperado, organizado e considerado referência no Brasil pelo Arquivo Público Nacional. Em sua estrutura, está sendo planejada uma sala de consulta, permitindo o acesso de estudantes, pesquisadores, moradores e visitantes interessados em saber mais sobre a história da Cidade Mãe de Sergipe. 

De acordo com o diretor do Arquivo Público Municipal, Adailton Andrade, toda documentação estará disponível para consulta popular. 

“O Arquivo Público Municipal está preparado para receber esse acervo. Também estamos preparando uma sala de consulta, para que a comunidade possa ter acesso à documentação e realizar pesquisas sobre a história local. Esse acervo também contribui para uma reparação histórica da figura de João Bebe Água, ao revelar, por meio dos próprios documentos, aspectos de sua atuação como homem público, intelectual e comprometido com a administração da cidade. É um material que ajuda a compreender melhor a nossa história a partir de registros históricos”, concluiu. 

Adailton Andrade, diretor do Arquivo Público Municipal

Fotos: Heitor Xavier

Publicado por Érica Xavier
Fotos por Heitor Xavier
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