São Cristóvão celebra 16 anos do reconhecimento da Praça São Francisco como Patrimônio Cultural da Humanidade com programação especial
No próximo sábado (1º), São Cristóvão celebra os 16 anos do reconhecimento da Praça São Francisco como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Concedido em 2010, o título reconhece a importância histórica e cultural do conjunto arquitetônico e urbanístico da praça, um dos principais símbolos da identidade da Cidade Mãe de Sergipe. Para marcar a data e reforçar a valorização e a preservação desse patrimônio, a Prefeitura de São Cristóvão preparou uma programação especial, que segue até a quarta-feira (5), com apresentações culturais, ações educativas, seminário, visita técnica e oficina de conservação de documentos e fotografias.
A programação começa no sábado (1º), às 19h, com o projeto “Seresta nas Ruas” realizando um cortejo pelas ruas do Centro Histórico, acompanhado pela Banda RSOM. A atividade convida moradores e visitantes a ocuparem as ruas da cidade em uma celebração que une música, cultura e patrimônio. Às 20h, será realizada a solenidade de abertura, e, na sequência, às 20h30, a programação segue na Rua Gastronômica, com apresentação artística do grupo de chorinho Os Tabaréus.
Na segunda-feira (3), será realizado o Dia das Universidades, com atividades voltadas à discussão sobre a preservação e a gestão do patrimônio. Das 10h às 12h, o Auditório do Museu de Arte Sacra recebe o seminário “Praça São Francisco como Patrimônio Mundial: Desafios de Preservação, Gestão Participativa e Desenvolvimento Sustentável”. O encontro contará com a participação de Rogério Proença Leite, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), e de Jônatas Souza Medeiros da Silva, arquiteto técnico do Iphan/SE. Ainda na segunda-feira, das 13h30 às 15h, será realizada uma visita técnica à antiga sede da Prefeitura, conduzida pelo arquiteto Ézio Déda. As duas atividades têm inscrição prévia, por meio deste link.
Na terça-feira (4), o Dia das Escolas será marcado pela Oficina de Maquetes, conduzida pelo arquiteto Leonardo Ribeiro Maia, especialista em técnicas tradicionais. A atividade acontece na Casa do Iphan, em duas turmas, das 9h às 11h e das 14h às 16h, e é destinada a estudantes do 5º e 6º anos das escolas municipais. A proposta é aproximar os estudantes da arquitetura e das técnicas tradicionais, fortalecendo o conhecimento sobre o patrimônio histórico da cidade.
Encerrando a programação, na quarta-feira (5), a Biblioteca Pública Lourival Baptista recebe a oficina temática “Introdução à conservação de documentos e fotografias”. A atividade será realizada das 10h às 12h e conduzida por Rafaela Pereira, bibliotecária e documentalista da Universidade Federal de Sergipe (UFS). O encontro apresentará técnicas e cuidados básicos para a preservação de documentos e fotografias, contribuindo para a proteção de registros que ajudam a preservar a memória individual e coletiva.
Para a presidenta da Fundação Municipal de Patrimônio e da Cultura (Fumpac), Paola Santana, a celebração dos 16 anos do reconhecimento da Praça São Francisco também reforça a importância de São Cristóvão manter viva a relação da população com o seu patrimônio. “A Praça São Francisco é parte da história de São Cristóvão e da identidade de quem vive aqui. Esses 16 anos de reconhecimento pela Unesco são uma oportunidade para lembrarmos a importância desse patrimônio e, principalmente, para aproximar cada vez mais a população desse lugar. Por isso, preparamos uma programação que reúne cultura, conhecimento e educação patrimonial, mostrando que cuidar do nosso patrimônio também é uma forma de preservar a nossa história”, afirma Paola.
O título de Patrimônio Cultural da Humanidade
A chancela da Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade é concedida a bens considerados de excepcional importância para a humanidade. Entre eles estão monumentos, conjuntos arquitetônicos e sítios arqueológicos que possuem relevância para a memória, a identidade e a criatividade dos povos, além de contribuírem para a preservação da diversidade cultural. Os critérios para a inscrição de bens na Lista do Patrimônio Mundial foram estabelecidos pela Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural, adotada pela Unesco em 1972. No Brasil, a convenção foi promulgada pelo Decreto nº 80.978, de 12 de dezembro de 1977.
São Cristóvão já possuía reconhecimento como patrimônio histórico nacional desde a década de 1970, quando seu conjunto arquitetônico e urbanístico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Posteriormente, estudos identificaram na Praça São Francisco características que atendiam aos critérios de excepcionalidade exigidos para o reconhecimento internacional.
Entre os elementos que conferem singularidade ao espaço está a configuração da praça, que incorpora o conceito de Plaza Mayor presente em cidades coloniais da América Hispânica, ao mesmo tempo em que apresenta características do padrão urbano português de cidade colonial em uma paisagem tropical. A composição do espaço expressa a fusão de referências urbanísticas e arquitetônicas associadas às tradições de Portugal e Espanha durante o período da União Ibérica, entre 1580 e 1640.
O conjunto inclui ainda a Igreja e o Convento de São Francisco, monumentos que ajudam a compor a paisagem histórica da praça e reforçam a importância do local para a compreensão da formação urbana e cultural do período colonial.
Fotos: Heitor Xavier
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