Projeto Mãe das Águas promove limpeza do Rio Pitanga e reforça preservação ambiental em São Cristóvão
Em alusão ao Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, a Prefeitura de São Cristóvão realizou a limpeza das margens do Rio Pitanga e promoveu orientações aos adeptos das religiões de matrizes africanas sobre a forma adequada de realizar oferendas sem causar impactos ao meio ambiente. A iniciativa integra o Projeto Mãe das Águas, que busca fortalecer a preservação ambiental aliada ao respeito às tradições e aos espaços sagrados utilizados pelas comunidades de terreiro.
O entorno do Rio Pitanga é considerado como um espaço sagrado para terreiros de Candomblé e Umbanda e, ao longo dos anos, tem sido utilizado para a realização de rituais e oferendas. No entanto, o uso de forma desordenada acabou causando impactos ao ambiente. Por isso, a ação reforça a importância de orientar a população e promover o cuidado coletivo com o local, garantindo que a prática religiosa aconteça de maneira consciente e sustentável.
De acordo com o coordenador de Promoção à Igualdade Racial, Edilberto Filho, o projeto Mãe das Águas chega à sua oitava edição consolidado como um espaço de diálogo pedagógico com a comunidade, com a sociedade e também com estudantes da educação básica. A iniciativa nasceu a partir de um entendimento de proteção ancestral e ecológica, e busca manter viva a relação entre ancestralidade, educação e preservação ambiental.
Segundo Edilberto, compreender o Rio Pitanga como um ambiente sagrado é “fundamental para que a sociedade reconheça não apenas a necessidade de preservação ambiental, mas também o respeito à liturgia, aos saberes ancestrais e às práticas tradicionais que fazem parte da história das comunidades de terreiro no município. Nesta edição de 2026, a programação teve início com a limpeza das margens do rio e terminará com a tradicional lavagem da Praça da Matriz com as águas sagradas do Rio Pitanga, simbolizando o equilíbrio entre religiosidade, educação e cuidado com a natureza”, destacou.
Mãe Nete de Iemanjá, que participou da iniciativa, destacou a importância do espaço e das ações de conscientização. Ela contou que frequenta o local há muitos anos e que suas raízes estão na Umbanda. Há cerca de 17 anos, mantém sua própria casa aberta no Rosa Elze e reforça que atividades como a limpeza e as orientações à comunidade ajudam a preservar o rio e a fortalecer o respeito às tradições e à natureza.
“A preservação ambiental está diretamente ligada à continuidade da vida e das práticas religiosas.Por isso, é fundamental transmitir essa consciência às novas gerações e mostrar que os espaços de fé, sejam de Candomblé, Umbanda ou de outras religiões, devem ser locais de acolhimento, união e esperança para as pessoas que enfrentam momentos difíceis”, ressaltou Nete.
A programação também contou com a participação da comunidade acadêmica. O Profº Drº Ewerthon Vieira, do Programa de Pós-Graduação em Rede Nacional para Ensino das Ciências Ambientais (Profciamb), destacou que o momento representa um encontro de aprendizagem com os povos de terreiro e com as comunidades que historicamente cuidam daquele território. “Compreender essa relação entre natureza e sociedade é essencial para a formação dos estudantes, reforçando a ideia de que o ser humano não está separado do meio ambiente, mas faz parte dele. Iniciativas como essa promovem essa integração e valorizam o trabalho dos organizadores e organizadoras do projeto.”, pontuou Ewerthon.
Nanny Marquise, professora que representa a Secretaria de Educação no Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial e que participa do projeto desde a primeira edição, também ressaltou a importância da iniciativa para o fortalecimento da educação ambiental no município. “Ações como essa ajudam a trazer para o centro da discussão uma parte do município que muitas pessoas ainda não conhecem, incentivando a sociedade a colaborar com a preservação dos mananciais, rios e bicas. Esse trabalho tem um forte viés pedagógico, especialmente neste período em que fazemos referência ao Dia Mundial da Água, reforçando a ideia de que água é vida”, finalizou.
Programação
20/03 (sexta-feira) – 09h às 11h: Lavagem simbólica na Praça da Matriz
Local: Praça da Matriz, Centro Histórico de São Cristóvão.
Foto: Dani Santos
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