04/08/2026

Prefeitura de São Cristóvão promove educação patrimonial a estudantes universitários com foco em preservação e valorização da história da cidade

Na última segunda-feira (03), a Prefeitura de São Cristóvão, por meio da Fundação Municipal do Patrimônio e da Cultura (Fumpac), realizou mais um dia especial da programação de aniversário da chancela da Praça São Francisco, que há 16 anos se tornou Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). As atividades voltadas ao público universitário tiveram o objetivo de ampliar o diálogo sobre a preservação da praça,  prédios históricos e tombados, reforçando o compromisso coletivo com o patrimônio cultural. 

Para Suleine Monteiro, diretora municipal de Patrimônio Cultural, a programação dos 16 anos da chancela este ano é especial e voltada, principalmente, para a educação patrimonial, unindo diferentes públicos. “Nessa segunda preparamos uma programação para o público universitário, com palestra e visita técnica para que a comunidade acadêmica possa ter o contato direto com o patrimônio, especialmente, com a Praça São Francisco, falando mais cientificamente sobre a importância do patrimônio, da sua preservação e dos estudos contínuos sobre a nossa cultura”, pontuou. 

Suleine Monteiro, diretora municipal de Patrimônio Cultural

O dia foi iniciado com o seminário “Praça São Francisco como Patrimônio Mundial: desafios de preservação, gestão participativa e desenvolvimento sustentável”. A palestra ficou por conta de Rogério Proença Leite, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Segundo ele, a discussão é de suma importância, pois faz refletir e debater conjuntamente com intelectuais, moradores, estudantes, justamente para compartilhar saberes e pensar em soluções para problemas e desafios que cercam a cidade histórica. 

“É uma experiência importantíssima, pois nos permite discutir a atuação da Prefeitura e dos órgãos gestores que trabalham na área do patrimônio em São Cristóvão. Trata-se de um momento de autorreflexão, especialmente para aqueles que estão mais diretamente envolvidos no processo de gestão e preservação do patrimônio, possibilitando a troca de experiências, o aprimoramento de conhecimentos e, consequentemente, a melhoria da atuação de todos em relação a esse bem reconhecido como Patrimônio Mundial, que é a Praça São Francisco, bem como outros bens históricos presentes da cidade”, declarou. 

Rogério Proença Leite, professor da UFS

A iniciativa reuniu representantes do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), que compartilhou experiências de atuação do órgão na proteção dos bens tombados e históricos de São Cristóvão, bem como de Sergipe, apresentando os principais desafios e potencialidades no que diz respeito à gestão do sítio histórico. “Outro ponto importante é conscientizar a população sobre o papel de cada pessoa nesse processo. Além dos órgãos públicos, a iniciativa privada, os comerciantes e, principalmente, os moradores têm uma responsabilidade fundamental na preservação cotidiana da Praça São Francisco e demais bens. E momentos como este, tornam-se especiais pelo fato de ser um espaço de conscientização e de educação patrimonial, permitindo que as pessoas compreendam o significado desse reconhecimento internacional da Praça São Francisco”, destacou Jonatas Silva, técnico do Iphan de Sergipe.

Jonatas Silva, técnico do Iphan de Sergipe

Na segunda atividade do dia, os estudantes puderam visitar a obra da Antiga Prefeitura, que está sendo recuperada pela Prefeitura e Iphan para a criação de um Centro de Interpretação e Memória de São Cristóvão. O projeto arquitetônico e tecnológico do espaço foi feito por meio da Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM). A visita foi guiada pelo arquiteto Ézio Déda, que destacou a importância do espaço para a promoção da histórica local e o quanto uma visita técnica pode despertar nos estudantes e moradores o sentimento de esperança e orgulho na cultura e dos monumentos presentes na cidade, que contam a história de um povo. 

“É um espaço que além de restaurar e de mostrar a riqueza da Praça São Francisco e toda a sua história, também é um ambiente para a educação patrimonial, onde as pessoas ao visitar perceberão e conseguirão acompanhar todo o processo de restauração que está sendo filmado, para que em uma instalação a gente conte a história do prédio e mostre todas as instalações. Mostre também as pinturas parietais, os elementos arquitetônicos que foram restaurados, e que todos conseguimos trazer de volta juntando tecnologia e a preservação do passado”, pontuou o arquiteto. 

Ézio Déda, arquiteto 

Thayane Costa é estudante de Arquitetura pela UFS e moradora de São Cristóvão. Sua participação no seminário e visita técnica representa uma expectativa de futuro com oportunidades profissionais e pessoais. “Eu entrei no curso de Arquitetura pensando justamente na conservação, já participei de pesquisas, e acho que São Cristóvão está evoluindo bastante nos últimos anos, principalmente no turismo. Sou daqui, cresci nesta praça e um desejo meu é que muitas gerações à frente da minha tenham essa mesma oportunidade. Acho a cidade linda, cultura linda também, e estou me formando na área para que no futuro eu consiga dar minha contribuição na preservação da história também da cidade e seus monumentos’, compartilhou. 

Thayane Costa, estudante de Arquitetura
Publicado por Érica Xavier
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