Prefeitura de São Cristóvão e Academia Sergipana de Meio Ambiente promovem capacitação para marisqueiras e pescadores
A Prefeitura de São Cristóvão, em parceria com a Academia Sergipana de Meio Ambiente, iniciou na última segunda-feira (18) o curso de Agente Ambiental voltado para marisqueiras e pescadores do município. A atividade aconteceu no auditório do Paço Municipal e reuniu dezenas de trabalhadoras e trabalhadores das comunidades ribeirinhas que têm no mangue sua principal fonte de sustento.
A capacitação busca fortalecer a consciência ambiental e incentivar práticas de preservação do manguezal, ecossistema fundamental para a reprodução de diversas espécies marinhas e para a manutenção da atividade pesqueira. O curso é realizado com apoio da Prefeitura, por meio das secretarias de Agricultura, Aquicultura e Pesca (Semagri) e Meio Ambiente (Semma), sendo dividido em etapas teóricas e práticas.
Segundo o presidente da Academia Sergipana de Meio Ambiente, Cristiano Cunha, a iniciativa surgiu como uma das ações mensais promovidas pela instituição e tem como objetivo formar agentes ambientais dentro das próprias comunidades tradicionais. “Pensamos em realizar o primeiro curso de agente ambiental com marisqueiras e pescadores justamente para reforçar a importância que eles têm dentro de um ecossistema tão frágil e tão importante como o mangue. É uma área de berçário para animais marinhos, aves e diversas espécies, mas também uma região vulnerável às ações humanas. Nosso objetivo é formar guardiões do meio ambiente e da natureza”, destacou.
Cristiano também ressaltou a escolha de São Cristóvão como sede da primeira edição da capacitação. “Escolhemos São Cristóvão pela importância histórica da cidade e pela forte presença das marisqueiras e pescadores na economia e cultura local. É uma cidade que guardamos com muito carinho”, afirmou.
A diretora municipal de Aquicultura e Pesca de São Cristóvão, Elaine de Jesus, destacou a relevância do curso para os profissionais que atuam diariamente no mangue.“É uma formação muito importante para os pescadores e marisqueiras que vivem desse ambiente. Aqui eles estão aprendendo ainda mais sobre como cuidar do seu local de trabalho e contribuir para a preservação do manguezal”, explicou.
Elaine informou ainda que o curso contará com três momentos distintos: a etapa teórica, realizada nesta primeira atividade; uma etapa prática, prevista para a próxima semana diretamente no mangue; e, por fim, uma solenidade de encerramento, marcada para o dia 29, com entrega de certificados e bótons de agentes ambientais.
A auxiliar de gestão ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Ana Cândida, ressaltou que a iniciativa fortalece as ações ambientais já desenvolvidas pelo município. “São Cristóvão já possui um trabalho voltado para a educação ambiental, mas contar com agentes ambientais voluntários dentro das comunidades tradicionais fortalece ainda mais essas ações e contribui para a construção de políticas públicas ambientais mais efetivas”, afirmou.
Entre os participantes do curso, o pescador Paulo dos Santos destacou os impactos da poluição no cotidiano de quem vive da pesca. “Hoje a maré está sofrendo muito. Para conseguir pegar um pescado limpo e adequado para levar para a população, a gente precisa percorrer longas distâncias. Tem muito plástico e muita sujeira no mangue. Às vezes encontramos sofá e diversos materiais descartados irregularmente. Isso prejudica tanto o pescador quanto toda a população”, relatou.
Já a marisqueira Rosimeire de Oliveira ressaltou a importância da conscientização para garantir a preservação dos manguezais e a continuidade da atividade das comunidades tradicionais.“Esse curso ajuda a conscientizar a gente sobre a importância de cuidar melhor dos nossos manguezais, porque é deles que tiramos o nosso sustento. Vivemos disso todos os dias, então precisamos preservar. Também quero pedir às pessoas que parem de destruir os nossos manguezais”, afirmou.
Fotos: Heitor Xavier
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