São Cristóvão lança o Plano Municipal de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher com ações transversais e foco na proteção social
Nesta sexta-feira (30), a Prefeitura de São Cristóvão, por intermédio da Secretaria Municipal da Assistência Social (Semas), lançou o Plano Municipal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, que marca um momento essencial de escuta da população e fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção, acolhimento e garantia de direitos das mulheres do município. O plano foi construído de forma intersetorial e suas ações já estão sendo executadas na cidade.
Com a participação das secretarias municipais de Assistência Social, Saúde, Educação, Defesa Social, Cultura, além de iniciativas conjuntas com o judiciário e sociedade civil, o objetivo do plano é garantir um atendimento humanizado, eficiente e contínuo às vítimas, desde a prevenção até a superação do ciclo de violência.
De acordo com o prefeito da cidade, Júlio Nascimento, a iniciativa reforça o compromisso da gestão na proteção e garantia dos direitos das mulheres. Durante o evento, o gestor reforçou o impacto da iniciativa: “é a partir desse plano que vamos ter ações mais eficazes, garantindo proteção e cuidado para as mulheres em todas as fases necessárias para o processo de superação”.
O prefeito destacou ainda que é essencial incluir essas mulheres nas políticas de geração de renda. “Através das atividades de assistência social, promovemos cursos de capacitação e profissionalizantes para que essas mulheres sejam inseridas no mercado de trabalho e estejam capacitadas para empreenderem e, assim, se tornarem cada dia mais independentes”.
A secretária municipal de Assistência Social, Lucianne Rocha, ressalta que as ações do plano já estão sendo executadas na cidade e, a partir delas, será possível a diminuição na taxa de violência contra a mulher. “O plano contempla desde iniciativas educativas, voltadas à formação de crianças e adolescentes com foco na prevenção e no combate à violência, até ações de assistência e acolhimento às mulheres em situação de violência, garantindo proteção, acompanhamento e responsabilização dos agressores”.
Segundo Raissa Rocha, coordenadora municipal de Políticas Públicas para Mulheres, muitos dos dados presentes no plano foram coletados na execução de projetos voltados para este público, como o Papo de Mulheres. “A equipe percorreu mais de dez territórios do município, promovendo escuta ativa com as mulheres. Em cada local visitado, foi aplicado um formulário com perguntas objetivas e subjetivas, que buscavam compreender a realidade vivenciada pelas melhores, seja algum tipo de violência, suas dificuldades e o que precisa ser melhorado”.
Mulheres e espaços de atendimento
O Plano Municipal de Enfrentamento à Violência é voltado prioritariamente às mulheres, que concentram os maiores índices de violência doméstica, mas também contempla todos os grupos em situação de vulnerabilidades, como crianças e adolescente, idosos e comunidade LBTQIAPN+, como forma de reconhecer que o enfrentamento à violência é amplo.
Partindo desta perspectiva, há o Núcleo de Atendimentos a Grupos Vulneráveis, implantado desde 2024, que atua em parceria com a gestão municipal com serviços de acolhimento à vítimas de violência. De acordo com Rosana Costa, coordenadora núcleo, após o registro de Boletim de Ocorrência, a vítima é acolhida, monitorada e acompanhada pela Assistência Social, com apoio da Secretaria de Saúde e de outras iniciativas que possuem a finalidade de superar o ciclo de violência. “Os dados provenientes da Segurança Pública e do núcleo, sobre atendimentos realizados foram essenciais para a construção e o fortalecimento contínuo do plano, garantindo ações cada vez mais eficazes e direcionadas às necessidades reais da população”.
Jielza Correia, líder comunitária, ressalta a importância da apresentação do plano à sociedade civil. “O momento é de diálogo, essa é a importância, é onde as mulheres podem estar aprendendo e vendo que o município está ofertando, como elas podem acessar os órgãos que as ajudam na proteção e superação por todo trauma vivido ou que esteja vivendo”.
Maria Aparecida, moradora do Emília Maria, descreve o evento como um momento de conhecimento e de ajuda, especialmente na identificação da violência. “O primeiro passo de tudo é a mulher saber o que está passando, tem mulheres que só pensam em violência quando é a física, mas existem outros tipos de violência que elas precisam estar cientes e sabidas do que fazer para se safar”.
Mariane dos Santos, dona do lar e mãe atípica, cita o quanto a violência sobrecarrega o emocional da mulher. “É necessário acolher também nossos filhos em uma situação como essa, ouvir, orientar, fortalecer o laço familiar, porque a violência contra a mulher segue sendo uma realidade alarmante. É preciso romper com essa cultura de que mulher é objeto, e entender que sozinhas é difícil de suportar. Mulheres tem que se unir, é muito importante que o poder público ofereça suporte, proteção, dignidades, para que possamos, enfim, viver”, finalizou.
Fotos: Heitor Xavier
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