30/01/2026

São Cristóvão lança o Plano Municipal de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher com ações transversais e foco na proteção social

Nesta sexta-feira (30), a Prefeitura de São Cristóvão, por intermédio da Secretaria Municipal da Assistência Social (Semas), lançou o Plano Municipal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, que marca um momento essencial de escuta da população e fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção, acolhimento e garantia de direitos das mulheres do município. O plano foi construído de forma intersetorial e suas ações já estão sendo executadas na cidade. 

Com a participação das secretarias municipais de Assistência Social, Saúde, Educação, Defesa Social, Cultura, além de iniciativas conjuntas com o judiciário e sociedade civil, o objetivo do plano é garantir um atendimento humanizado, eficiente e contínuo às vítimas, desde a prevenção até a superação do ciclo de violência.

De acordo com o prefeito da cidade, Júlio Nascimento, a iniciativa reforça o compromisso da gestão na proteção e garantia dos direitos das mulheres. Durante o evento, o gestor reforçou o impacto da iniciativa: “é a partir desse plano que vamos ter ações mais eficazes, garantindo proteção e cuidado para as mulheres em todas as fases necessárias para o processo de superação”. 

O prefeito destacou ainda que é essencial incluir essas mulheres nas políticas de geração de renda. “Através das atividades de assistência social, promovemos cursos de capacitação e profissionalizantes para que essas mulheres sejam inseridas no mercado de trabalho e estejam capacitadas para empreenderem e, assim, se tornarem cada dia mais independentes”. 

Júlio Nascimento, prefeito da cidade 

A secretária municipal de Assistência Social, Lucianne Rocha, ressalta que as ações do plano já estão sendo executadas na cidade e, a partir delas, será possível a diminuição na taxa de violência contra a mulher. “O plano contempla desde iniciativas educativas, voltadas à formação de crianças e adolescentes com foco na prevenção e no combate à violência, até ações de assistência e acolhimento às mulheres em situação de violência, garantindo proteção, acompanhamento e responsabilização dos agressores”. 

Lucianne Rocha, secretária municipal de Assistência Social

Segundo Raissa Rocha, coordenadora municipal de Políticas Públicas para Mulheres, muitos dos dados presentes no plano foram coletados na execução de projetos voltados para este público, como o Papo de Mulheres. “A equipe percorreu mais de dez territórios do município, promovendo escuta ativa com as mulheres. Em cada local visitado, foi aplicado um formulário com perguntas objetivas e subjetivas, que buscavam compreender a realidade vivenciada pelas melhores, seja algum tipo de violência, suas dificuldades e o que precisa ser melhorado”. 

Raissa Rocha, coordenadora municipal de Políticas Públicas para Mulheres

Mulheres e espaços de atendimento 

O Plano Municipal de Enfrentamento à Violência é voltado prioritariamente às mulheres, que concentram os maiores índices de violência doméstica, mas também contempla todos os grupos em situação de vulnerabilidades, como crianças e adolescente, idosos e comunidade LBTQIAPN+, como forma de reconhecer que o enfrentamento à violência é amplo. 

Partindo desta perspectiva, há o Núcleo de Atendimentos a Grupos Vulneráveis, implantado desde 2024, que atua em parceria com a gestão municipal com serviços de acolhimento à vítimas de violência. De acordo com Rosana Costa, coordenadora núcleo, após o registro de Boletim de Ocorrência, a vítima é acolhida, monitorada e acompanhada pela Assistência Social, com apoio da Secretaria de Saúde e de outras iniciativas que possuem a finalidade de superar o ciclo de violência. “Os dados provenientes da Segurança Pública e do núcleo, sobre atendimentos realizados foram essenciais para a construção e o fortalecimento contínuo do plano, garantindo ações cada vez mais eficazes e direcionadas às necessidades reais da população”. 

Rosana Costa, coordenadora do Núcleo de Atendimentos a Grupos Vulneráveis

Jielza Correia, líder comunitária, ressalta a importância da apresentação do plano à sociedade civil. “O momento é de diálogo, essa é a importância, é onde as mulheres podem estar aprendendo e vendo que o município está ofertando, como elas podem acessar os órgãos que as ajudam na proteção e superação por todo trauma vivido ou que esteja vivendo”. 

Jielza Correia, líder comunitária

Maria Aparecida, moradora do Emília Maria, descreve o evento como um momento de conhecimento e de ajuda, especialmente na identificação da violência. “O primeiro passo de tudo é a mulher saber o que está passando, tem mulheres que só pensam em violência quando é a física, mas existem outros tipos de violência que elas precisam estar cientes e sabidas do que fazer para se safar”. 

Maria Aparecida, moradora do Emília Maria

Mariane dos Santos, dona do lar e mãe atípica, cita o quanto a violência sobrecarrega o emocional da mulher. “É necessário acolher também nossos filhos em uma situação como essa, ouvir, orientar, fortalecer o laço familiar, porque a violência contra a mulher segue sendo uma realidade alarmante. É preciso romper com essa cultura de que mulher é objeto, e entender que sozinhas é difícil de suportar. Mulheres tem que se unir, é muito importante que o poder público ofereça suporte, proteção, dignidades, para que possamos, enfim, viver”, finalizou. 

Mariane dos Santos, dona do lar e mãe atípica - Foto/Érica Xavier
Apresentação de abertura do evento 

Fotos: Heitor Xavier 

Publicado por Érica Xavier
Fotos por Heitor Xavier
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