São Cristóvão realiza a 1ª Conferência Extraordinária Municipal de Saúde com foco na construção da equidade no SUS
Nesta quarta-feira (04), a Secretaria Municipal de Saúde de São Cristóvão (SMS) realizou a 1ª Conferência Extraordinária Municipal de Saúde, reunindo sociedade civil, profissionais da saúde e gestores públicos para debater propostas de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) no município. Com o tema “Por um SUS forte: Gestão qualificada, cuidado integral e participação social na construção da equidade em saúde na Cidade Mãe”, o evento teve como objetivo elaborar e aprovar diretrizes que integrarão o Plano Municipal de Saúde para os próximos quatro anos.
Convocada com o propósito de reforçar a participação social nos processos de planejamento da saúde, a conferência dividiu os participantes em três segmentos: usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), trabalhadores da saúde, além de gestores e prestadores de serviço. Essa organização garantiu representatividade e pluralidade nas discussões, promovendo um espaço democrático para a construção de políticas públicas voltadas à realidade local.
Segundo a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Gilvânia de Souza, essa estrutura de participação está prevista na Lei nº 8.142, de 1990, que regulamenta a criação do SUS e determina a participação da sociedade na formulação de políticas públicas de saúde. “Nosso município sempre esteve à frente nesse aspecto, porque, enquanto muitos outros não ouviam a população, São Cristóvão sempre priorizou a escuta ativa da comunidade”, destacou a conselheira.
O tema voltado à participação social e equidade em saúde foi distribuído em três principais eixos, nos quais os participantes se dividiram para discutir as demandas em grupos de trabalho. O Eixo I tratou da Gestão e Financiamento do SUS, com foco em inovação, transparência e compromisso com a equidade. O Eixo II abordou a Valorização do Trabalhador da Saúde, destacando a importância de condições dignas, formação e cuidado com quem cuida. Já o Eixo III enfatizou a Participação Social e o Protagonismo do Usuário, reforçando que o SUS é construído com a participação ativa da população.
De acordo com secretária-adjunta municipal de Saúde, Michele Soraya, o tema abordado convida a sociedade à reflexão e à construção coletiva para formular propostas com compromisso renovado, em defesa de um Sistema Único de Saúde (SUS) público, gratuito e verdadeiramente justo.
“O cuidado com a saúde, seja física, social ou emocional, exige equipes qualificadas, redes articuladas e serviços contínuos, que vão desde a atenção básica até os atendimentos de alta complexidade, mas nada disso se sustenta sem a participação popular. O controle social é o que diferencia o SUS de outros sistemas e é fundamental valorizar os nossos conselhos, as conferências e também as ouvidorias, que são espaços legítimos e devem ser respeitados, ouvidos e fortalecidos”, afirmou.
O evento
A conferência foi iniciada por uma mesa de abertura, que contou com a presença do prefeito de São Cristóvão, Júlio Nascimento; a vice-prefeita, Gedalva Umbaubá; o vereador Marcão da Pastoral; a chefe de serviço de articulação e participação do Ministério da Saúde, Giziane Pereira dos Santos; a representante da Secretaria do Estado da Saúde (SES), Bianca Evangelista; e o chefe de gabinete da UFS, Marcelo Maciel.
Na ocasião, o prefeito Júlio Nascimento reforçou o comprometimento em garantir os serviços de saúde necessários para que a população sancristovense viva com dignidade, e, para isso, a administração pública precisa debater demandas e ouvir quais as necessidades de quem vive o dia a dia da cidade.
“Todos os planos que construímos ao longo dos anos levam muito em consideração os momentos de escuta, principalmente as audiências públicas e as conferências como essa. É nesses espaços que a população nos traz suas demandas. O nosso desafio é fazer ainda mais: alcançar cada vez mais pessoas, tornar a gestão, especialmente na área da saúde mais eficiente e mais próxima de quem mais precisa”, afirmou o gestor.
Em seguida, houve a leitura do regulamento da conferência, aprovado pelo voto dos participantes. Logo após, foi realizada a mesa redonda intitulada “Saberes e práticas na construção da equidade em Saúde: o papel da universidade, da gestão e dos trabalhadores do SUS na elaboração do Plano Municipal de Saúde 2026-2029”.
Participaram da mesa a diretora de Planejamento e Gestão em Saúde, Maria Fernanda Camarço; o coordenador de Educação Permanente e Continuada dos Conselhos de Saúde do Nordeste, Marivaldo Meneses; o professor no Departamento de Fonoaudiologia e coordenador Residência em Saúde da Família da UFS, Marcus Valério Peixoto; o técnico da Superintendência Estadual do Ministério da Saúde de Sergipe, Leonardo Ferreira; e o médico da Estratégia da Saúde da Família do município, Lucas Pereira.
A diretora Maria Fernanda Camarço enfatizou que as diretrizes discutidas ao longo do dia serão construídas com base nas necessidades reais da população e nos eixos estabelecidos no plano de governo. “Buscamos garantir que, nos próximos quatro anos, o município possa executar ações concretas, melhorar os indicadores de saúde, e ampliar o acesso da população aos serviços de forma mais eficiente e igualitária”, assegurou.
Além dela, o professor Marcus Valério Peixoto abordou a importância da integração entre universidade, gestão e trabalhadores, questionando as iniquidades em saúde, que envolvem não apenas questões de renda, mas também racismo, desigualdade de gênero, transfobia, entre outras formas de exclusão que afetam diretamente a saúde da população.
“É fundamental que o SUS esteja preparado para compreender esses impactos e produzir respostas sociais que atendam às necessidades de grupos específicos. Estamos falando de desigualdades que são injustas, evitáveis e sistemáticas. E como se trata de um problema complexo, precisamos de múltiplos olhares. O envolvimento da universidade, nesse diálogo com a população e com a gestão pública, é essencial para que a gente possa superar esses desafios de forma consistente”, destacou o professor.
Os grupos de trabalho também compuseram um momento de destaque durante a conferência, pois foi através deles que a comunidade pontuou as diretrizes escolhidas para o Plano Municipal de Saúde. Por meio deles, foram discutidos os três eixos temáticos, e a plenária final decidiu quais pontos definidos agregariam o plano quadrienal.
Complementando as discussões e atividades para fortalecer a saúde da comunidade presente, foram ofertados durante todo o período da conferência testes rápidos, práticas integrativas e complementares, com a aplicação de auriculoterapia e vacinação.
Participação social
Com a participação social em evidência, os trabalhadores e usuários foram peças-chave para alcançar o conhecimento das necessidades e vivências da população. Uma delas foi a assistente social Fabiana Souza, que atua no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Valter Correia. Para ela, esses momentos de conferências, seminários e encontros são muito importantes para que o trabalhador possa trazer a sua voz, suas demandas e também as dificuldades do cotidiano de trabalho.
“É nesses espaços que conseguimos pensar juntos em como melhorar o nosso serviço e o SUS como um todo. Quando nos reunimos, percebemos que, apesar das especificidades, as demandas não são tão diferentes. Por isso, é essencial juntar forças, compartilhar experiências e refletir sobre estratégias de melhoria, tanto no serviço que oferecemos quanto na nossa prática profissional”, afirmou a profissional.
Enquanto usuária, a marisqueira Ângela Maria dos Santos acredita ser fundamental ter a participação de comunidades civis da cidade, pois cada uma tem especificidades próprias, como ela que trabalha diariamente na maré, onde está suscetível a adversidades. “Eu mesma peguei uma bactéria e até hoje luto com isso. Meu cabelo antes era grande, e agora está curtinho, por causa dessa bactéria. A gente vive na maré, trabalha de dia, de noite, e precisa de uma saúde pública suficiente para dar suporte ao que a gente enfrenta”, relatou.
Pensando nisso, a marisqueira participou pela primeira vez de uma conferência de saúde, visando acessar mais aprendizado e também ter suas necessidades ouvidas. “É muito interessante ter esse espaço. Tenho a esperança que hoje seja muito bom, que traga aprendizado tanto para nós, marisqueiras e pescadores, quanto para as equipes de saúde sobre as nossas vivências”, concluiu.
Fotos: Heitor Xavier
Recentes
Notícias recentes de Saúde
São Cristóvão zera fila de exames de radiografia após ampliar atendimento para pacientes eletivos
Prefeitura de São Cristóvão alcança no mês de agosto 2600 doses de vacinas aplicadas com Campanha de Multivacinação e Dia D Nacional